Células Tronco
A Universidade de São Paulo vai criar, em parceria com a instituição britânica King´s college London, um laboratório para produzir dentes vivos usando células-tronco. O objetivo é usar a polpa desses dentes para recriar a dentição danificada.
“As células-tronco podem formar diferentes tipos celulares. A ideia de usá-las para formar tecidos é somente uma consequência do conhecimento de sua capacidade”,explica a Cirurgiã-Dentista,professora da FOUSP e do King´s College London e coordenadora do projeto Andrea Mantesso. De acordo com a especialista, as células da polpa de dentes de leite são boas para se formar tecidos dentais, mas não são efetivas para formar a terceira dentição. “Elas não respondem bem nos experimentos de recombinação celular”, explica.
A técnica da terceira dentição consiste em combinar células epiteliais e mesenquimais (tecido conjuntivo) de origem dental para recriar a odontogênese na placa do laboratório. “Depois que essas células já começaram a formar um novo dente, esse germe dental que cresceu no laboratório é, então, transplantado in vivo para ganhar suprimentos sanguíneo”, diz Andrea.
Já para a engenharia de tecidos perdidos parcialmente, por exemplo polpa ou ligamento periodontal, as técnicas variam de acordo com o uso desejado. É importante salientar que, para ambos os casos (terceira dentição ou reparação parcial), ainda não existe um protocolo clínico e é necessário tempo para aprimorar os resultados das pesquisas.
O uso de qualquer tipo de célula-tronco adulta não levanta o mesmo tipo de polêmica ética causado pelo uso das embrionárias. E no caso dos dentes de leite, a primeira vantagem é que eles são extremamente acessíveis. “Para as células de polpa de dente decíduo temos 20 dentes que caem naturalmente. Para as células de polpa de dentes permanentes, podemos acessar a polpa sem necessidade de remoção do dente, e para a obtenção das outras populações, como do ligamento periodontal e papila apical, ainda temos os terceiros molares que comumente são extraídos”, explica a especialista.
Já existem estudos mostrando que as células-tronco são eficientes na recuperação de isquemia cardíaca, na formação de neurônios sinalizando uma possível fonte celular para o tratamento de doenças neurológicas, na diferenciação de células musculares, entre outras aplicações.
O laboratório deve ficar pronto em meados de 2011 e vai custar em torno de R$ 200 mil. “O laboratório de células-tronco em Odontologia será financiado e construído exclusivamente pela USP, mas possibilitará o desenvolvimento dos projetos de pesquisa que temos em colaboração e de outros que ainda estão em planejamento”, afirma Andrea.
Atualmente, cinco projetos de pesquisa com participação de pesquisadores do Brasil e da Inglaterra já estão em andamento. Esse laboratório deve abrigar, no futuro, o primeiro banco de células-tronco dentárias no país e fornecerá células para serem usadas por pesquisadores e profissionais de saúde.
Fonte: Jornal da APCD
Saiba um pouco mais sobre
"Células Tronco".